O legado centenário de personagens animais em filmes de animação da Disney 

O sucesso de personagens de animação clássicos da Disney como Mickey Mouse, Pato Donald, Dumbo e Simba deve muito à retratação inteligente e cativante dos animais.

Ao longo da história centenária da Disney, várias obras apresentando animais antropomórficos como protagonistas criaram uma utopia de personagens animais, um mundo que se iniciou com o icônico Mickey Mouse.

Foi o sucesso inicial da Disney com Mickey Mouse que estabeleceu a rota da empresa na criação de protagonistas animais.

Em termos de cenários ambientais e relações entre personagens, a Disney tem três mundos animais distintos: a utopia animal, o mundo onde os animais coexistem com os humanos e o mundo animal da selva.

Estes três mundos apresentam estilos de expressão, temas e entretenimento completamente diferentes, demonstrando os esforços da Disney na retratação de animais.

O Todo-Poderoso Mickey Mouse e a Utopia Animal

Em 1928, Walt Disney criou o personagem animado Mickey Mouse, que rapidamente apareceu em vários curtas de animação como O Maluco do Avião e O Vapor Willie.

Mickey Mouse se tornou uma sensação instantânea nos Estados Unidos.

Desde momento em diante, a Disney desenvolveu personagens animais de maneira consciente. Só na série do Mickey Mouse, personagens como Minnie, Pato Donald e Pateta fizeram aparições.

A característica comum entre esses personagens animais é o antropomorfismo; eles se vestem e se comportam como humanos.

A maioria dos personagens animais da Disney têm traços de personalidade como a fofura, a travessura e a impulsividade. Suas palhaçadas na tela muitas vezes provocam risadas e alegria no público do cinema.

Tomando como base Mickey Mouse e seus amigos, a Disney criou uma utopia animal.

A utopia animal nessas animações retrata animais evoluídos ao nível da civilização humana.

Embora pertençam a diferentes espécies, tigres, ursos e porcos vivem juntos em harmonia, criando um habitat ideal e onírico.

Mickey Mouse tem um papel versátil na utopia animal, interpretando papéis de musicista, bombeiro, mágico, sempre no centro, trazendo alegria aos residentes da utopia animal e resolvendo seus problemas.

Antes da televisão se disseminar nos Estados Unidos, Mickey Mouse estrelou em centenas de curtas de animação entre os anos 1920 e 1940, exibidos como curtas-metragens nos cinemas.

Os Estados Unidos estavam no meio da Grande Depressão no início dos anos 1930. Os desenhos do Mickey Mouse trouxeram alegria a inúmeras crianças e aliviaram brevemente os pais das preocupações da vida.

Em 1940, Fantasia foi lançado, um dos raros longas-metragens “estrelando” Mickey Mouse. Embora não tenha sido o protagonista do filme todo, Mickey lidera um dos segmentos.

Fantasia usou música clássica como trilha sonora, sincronizando as emoções e ações dos personagens animados com as melodias das músicas, marcando uma empreitada criativa exploratória.

Depois de seu lançamento inicial, a resposta do mercado ao filme foi mediana. No entanto, ao longo dos anos, o amor dos fãs por Fantasia cresceu fervorosamente, tornando-o uma presença artística singular entre os longas-metragens de animação da Disney.

Outro filme de animação estilo utopia animal criado pela Disney foi As Muitas Aventuras do Ursinho Pooh, lançado em 1977.

O filme segue as aventuras do Ursinho Pooh e de seus amigos, incluindo Tigrão, Leitão, Bisonho, Abel e muito outros em várias situações no Bosque dos Cem Acres.

Ursinho Pooh é caracterizado por sua personalidade adorável e ingênua. Ele tem tanto o descuido de um urso quanto a inocência de uma criança, tornando-o um companheiro de animação querido para muitos espectadores jovens.

Os mundos onde Mickey Mouse e Ursinho Pooh vivem tendem para uma utopia animal semelhante a um conto de fadas.

Como resultado, o público viu as animações da Disney como obras feitas apenas para trazer alegria para as crianças.

Em 2016, o lançamento de Zootopia permitiu que tanto adultos quanto crianças vivenciassem o charme extraordinário de uma animação da Disney.

O filme criou uma utopia animal realista na qual os personagens animais mantinham várias características físicas e hábitos.

Por exemplo, o formato das pernas de Judy Hopps, uma coelha, e Nick Wilder, uma raposa, assim como o tamanho de seus corpos, foram modificados baseados em características reais dos animais.

Embora os animais no filme usem celulares e dirijam carros, todas as ferramentas são ajustadas microscopicamente para se adequarem às características físicas dos animais.

Estes designs baseados em animais romperam com a prática anterior de apenas espelhar ações humanas em personagens animais antropomórficos.

No filme, Judy Hopps enfrenta pressões de crescimento e problemas no ambiente de trabalho semelhantes àqueles enfrentados por humanos. Suas experiências na cidade de Zootopia ressonam emocionalmente com o público.

Zootopia combina perfeitamente a vida real, os sonhos de contos de fada e a tecnologia científica. Essa utopia animal, construída sobre uma base de contos de fada, irradia, por fim, o brilho do realismo.

No mundo humano, os animais lideram

Outro reino retratado pela Disney é um mundo onde os humanos e os animais coexistem. Os animais expressam suas emoções e experiências únicas em seu próprio reino.

Dumbo foi lançado nos Estados Unidos em outubro de 1941, e conta a história de Dumbo, um filhote de elefante que se sente inseguro por causa de suas orelhas enormes.

Porém, encorajado por sua mãe e por seus amigos, Dumbo usa suas orelhas para voar e torna-se uma sensação no circo.

Em dezembro do mesmo ano, os japoneses atacaram Pearl Harbor. Em uma época em que a televisão ainda não era difundida, os filmes ficavam muito tempo nos cinemas. A história inspiradora, comovente e alegre de Dumbo elevou muito o público estadunidense.

Os companheiros animais mais comuns vistos no mundo real ao lado de humanos são cachorros. A maioria dos filmes centrados em animais desenvolvidos pela Disney após Dumbo traziam cachorros como protagonistas.

A Dama e o Vagabundo (1955) e 101 Dálmatas (1961) estão entre os clássicos atemporais de animação da Disney.

A Dama e o Vagabundo conta a história de amor entre uma cachorrinha de estimação e um cachorro de rua. Embora o filme gire em torno de cachorros, os criadores infundiram emoções humanas nos personagens.

O filme conclui com a cachorra de estimação casando-se com o cachorro de rua, e ambos começam uma vida familiar feliz. A mensagem da Disney nesta animação enfatiza a importância da família.

101 Dálmatas e A Dama e o Vagabundo compartilham um tema comum; o primeiro também enfatiza a noção de família em primeiro lugar.

Na cena de abertura, o dálmata Pongo desempenha um papel ativo no processo de fazer seu dono se casar, eventualmente ganhando o coração de uma linda cadela. Depois, Pongo, junto com sua esposa e filhotes, fogem, com o objetivo final de reencontrarem sua família.

Após a Segunda Guerra Mundial, várias ideologias surgiram nos Estados Unidos, e as pessoas ficaram cada vez mais desconfiadas do casamento e da família.

Durante este período, as animações da Disney focaram em espalhar o conceito de família, retratando humanos e animais lutando incansavelmente pela felicidade e integridade de suas famílias.

As animações da Disney tinham como objetivo fornecer ao público lições de vida significativas junto com entretenimento.

Este mundo coexistente de animais e humanos na animação alcançou seu auge nas criações da Disney na década de 1960.

Posteriormente, as animações 2D da Disney lutaram para abrir novos caminhos até o surgimento das animações da Pixar.

De início, a Pixar e a Disney tinham um relacionamento cooperativo, com a Disney lidando com a distribuição das animações da Pixar. Em 2006, a Pixar foi oficialmente adquirida pela Disney.

A Pixar é uma companhia com experiência em tecnologia que produz filmes de animação totalmente gerados por computador. Seus trabalhos se destacam tanto em tecnologia quanto em narrativa.

No começo do século XXI, as animações da Pixar tiveram um impacto explosivo.

Ratatouille estreou em 2007. O filme conta a história de Remy, um talentoso rato cozinheiro, que colabora com um humano, Linguini, para criar uma culinária requintada.

O filme mostra vividamente a inovação ousada da Pixar na criatividade e também na tecnologia. Localizado entre a realidade e a fantasia, o filme enfatiza a harmoniosa coexistência entre animais e humanos.

O mundo animal, e a lei da selva

Além da utopia animal e o mundo coexistente entre humanos e animais, as animações da Disney também exploram o mundo animal da selva.

Esta categoria de filmes de animação retrata histórias ambientadas em florestas e campos, onde os animais lutam contra a natureza, outras criaturas e evitam os humanos para sobreviver.

Bambi estreou em 1942 e narra a jornada de Bambi de um cervo vulnerável a líder da floresta.

Embora injete emoções humanas e características antropomórficas em personagens animais, o filme ainda mantém um forte senso de selva.

Bambi retrata de maneira extensiva as mudanças de estações na floresta e vários comportamentos, características físicas e hábitos dos animais.

Por exemplo, Bambi aos poucos desenvolve chifres, os gambás precisam hibernar na hora certa e os coelhos gostam de comer trevo.

O filme não apenas retrata relacionamentos românticos e comoventes, como também retrata a realidade cruel de humanos caçando animais.

Bambi atinge um equilíbrio entre realismo e contos de fadas, não apenas suscitando lágrimas do público como também proporciona ao público jovem um vislumbre do mundo desconhecido da selva, servindo a propósitos educacionais e de entretenimento ao mesmo tempo.

Outro filme de animação da Disney ambientado na floresta é Mogli, O Menino Lobo, lançado em 1967.

O que diferencia essa animação é seu protagonista humano, Mogli, rodeado por um grupo de personagens animais. Criado por uma alcateia de lobos desde a infância, Mogli pode se comunicar com todos os animais.

Mogli, O Menino Lobo não cria um mundo de floresta puramente idílico. Em vez disso, também está cheio de perigos e ameaças.

No entanto, ao redor de Mogli, ainda há animais gentis como lobos, panteras e um urso preguiçoso. O filme dá ênfase à aventura e ao encontro, e tem um aspecto educacional mais fraco.

Um dos apogeus da Disney em animações centradas em animais é, sem dúvida, O Rei Leão, lançado em 1994.

Adaptado da peça de Shakespeare, Hamlet, o filme relata a jornada de Simba, de ser um jovem leão até se tornar o rei das Terras do Reino.

O Rei Leão ganhou conquistou o amor do público de todas as idades devido à sua animação requintada e qualidade épica.

Posteriormente, os filmes de animação da Disney/Pixar atenderam jovens e pessoas mais velhas, abandonando aos poucos o rótulo de serem exclusivamente para crianças.

Procurando Nemo da Pixar estreou em 2003.

O filme gira em torno de temas de família e crescimento, demonstrando um mundo subaquático surpreendentemente vívido através de uma excelente animação feita por computador. Os humanos aparecem casualmente no filme, como em barcos de pesca lançando redes no mar.

Procurando Nemo é uma história de peixe criado em um ambiente de vida real, demonstrando a excepcional tecnologia de animação da Pixar, que trouxe à vida um mundo subaquático vibrante.

Em seus 100 anos de existência, a Disney criou um mundo animal rico e diverso nas telonas. Essas obras transmitem valores de cuidados com os animais e de preservação da natureza, proporcionando às crianças imagens fascinantes de contos de fadas conforme elas crescem.

LIGHT

Ilumine e aumente a visibilidade — seja o primeiro!

Comentários
Bombando
Novo
comments

Compartilhe sua opinião!

Seja a primeira pessoa a iniciar uma conversa.