Sim! Na verdade, foram duas.
Ao pesquisar na Internet, o nome que aparece com maior frequência é o de George Bernard Shaw, um importante escritor da literatura irlandesa. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura da Academia Sueca em 1925. A menção afirmava: “marcada tanto pelo idealismo quanto pela humanidade, sua sátira estimulante costuma ser infundida com uma beleza poética singular”. No entanto, Shaw, uma figura peculiar que pouco se importava com honras, reclamou: "Posso perdoar Nobel por inventar a dinamite, mas apenas um demônio em forma humana poderia ter inventado o Prêmio Nobel."

Contudo, 13 anos depois, em 1938, o Oscar deu ainda mais atenção a esse homem teimoso. O prêmio de "Melhor Roteiro" foi concedido à adaptação cinematográfica de sua famosa peça "Pigmalião". Essa categoria do Oscar equivale ao prêmio de "Melhor Roteiro Adaptado" hoje em dia. O filme recebeu três indicações naquele ano, incluindo "Melhor Filme", "Melhor Ator" e "Melhor Atriz". Como esperado, Shaw não se impressionou e respondeu: "É um insulto para eles me oferecerem qualquer honra, como se nunca tivessem ouvido falar de mim antes – e é muito provável que nunca tenham ouvido mesmo. Eles poderiam muito bem enviar alguma homenagem a George por ser rei da Inglaterra.". Entretanto, mais tarde, um amigo relatou ter visto o troféu do prêmio na casa de Shaw.

E assim, George Bernard Shaw tornou-se a primeira pessoa a ter o privilégio de ganhar tanto um Prêmio Nobel quanto um Oscar.
Esse recorde foi empatado em 2016 por outra figura que tampouco se importava com honras, Bob Dylan. Naquele ano, a Academia Sueca concedeu o Prêmio Nobel de Literatura ao icônico cantor folk norte-americano, afirmando: “por ter criado novas expressões poéticas dentro da grande tradição musical dos Estados Unidos”. Aos 75 anos, Dylan tornou-se o primeiro músico a receber essa homenagem desde a criação do Prêmio Nobel de Literatura em 1901. Semelhante a Shaw, o enigmático Dylan não recebeu o prêmio imediatamente. Em vez disso, ele manteve fãs e leitores em suspense por vários meses antes de se reunir discretamente com a Academia Sueca e aceitar a medalha e o certificado.

Quanto a Dylan e o Oscar, na cerimônia de 2001, ele recebeu o prêmio de "Melhor Canção Original" por "Things Have Changed", música-tema do filme "Garotos Incríveis". Isso marcou uma conquista para o poeta popular na virada do século.

Certamente, a literatura sempre esteve interligada com as histórias contadas através de filmes. Embora a base do cinema esteja na ciência e na tecnologia, a ideia de um vencedor do Nobel de química, física ou biologia também ser um vencedor do Oscar continua sendo absurda. Porém, não é totalmente improvável que algum dia um vencedor do Prêmio Nobel da Paz, ativamente envolvido na escrita do roteiro de sua história de vida, também possa ganhar um prêmio por isso.



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