Zona de Interesse - Crítica 

De uma forma mais íntima, Jonathan Glazer (Sob a Pele) mostra o transparer do horror dividido entre muros. No seu mais novo filme, Zona de Interesse (2023) nos temos dois filmes, o primeiro onde a gente assiste a obra, onde fica visível como tudo foi gravado e o segundo seria na sonoridade, um filme que acontece enquanto a gente ouve, com detalhes a nível extremo. Esse gênero de segunda guerra parece massivo, porém diretores como Glazer inovam na maneira como contar a história.

O comandante de Auschwitz, Rudolf Höss (Christian friedel), e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller), se esforçam para construir a vida dos sonhos para sua família em uma casa com jardim ao lado do campo.

Essa premissa parece simples no papel, mas ao colocar em prática fica algo tenso e detalhado, sem mostrar nenhuma violência, nós o público nos perguntamos se esse estilo de vida era tão tranquilo assim.

Sandra Hüller (Sisi & Ich) nos entrega uma performance ideal como uma mãe e uma esposa dedicada, seu papel se torna crucial em vários aspectos seja na vaidade, no orgulho e até na manipulação.

Christian friedel (Parfum) nos reflete um pai de família trabalhador, presente, pensativos e sádico, mas acima de tudo protagonista da sua própria história.

Sua paleta de cores são naturais, deixando a gente no conforto de admirar a iluminação natural e pretejar o serviço de Lukasz Zal (Guerra Fria) assim, como a trilha de Mica Levi (Sob a Pele) que nos atenta minutos antes do filme iniciar e deixar a gente atento a natureza sonora e para o encerramento, uma harmonização reflexiva.

Glazer posicionou cada câmera como se fosse de monitoramento, esplanadas pelos cenários, o que deixa a direção e o fluxo de percurso da história mais natural, todos os quadros do filme são abertos mostrando a família por completo.

Se tornando uma adaptação livre da obra escrita do mesmo nome do recém-falecido Martin Amis (1949-2023), Zona de Interesse (2023) entrega algo único e experimental para cada público, uma obra mais íntima, mais ousada e reflexiva, onde os personagens andavam livre sem nenhuma preocupação e os mais velhos se alienando. Mesmo sendo um gênero abundante, são obras assim que faz diferença em mostrar de quem devemos lembrar nos salões dos museus.

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