Adeus a John Dutton: a despedida de Yellowstone Spoilers

Enquanto Beth olha profundamente para o horizonte em um plano subjetivo, a série Yellowstone, do Paramount+, chega ao fim. A família Dutton, que tomou conta deste vasto pedaço de terra ao longo de 140 anos, se despede para sempre do rancho de Yellowstone.

No tão esperado retorno da 5ª temporada, que finalmente foi ao ar em 10 de novembro de 2024 após atrasos intermináveis, o incontestável protagonista, John Dutton — em meio a alarmes estridentes e gritos histéricos de Beth —, morre logo após se tornar governador no 9º episódio. Seu intérprete, o ícone de Hollywood Kevin Costner, também vai embora mais cedo, dando um adeus definitivo a Yellowstone.

Pôster promocional de Yellowstone ("Parte B" da 5ª temporada).

PQP! Depois de esperar quase dois anos pela "Parte B" da 5ª temporada, eu estava completamente despreparado para a morte do personagem principal. Poderia ser uma artimanha da família Dutton, fingindo sua morte para afastar as incorporadoras imobiliárias que querem construir um aeroporto e uma estância de esqui no território? Embora esse plano não combine nada com a personalidade orgulhosa e teimosa do cowboy de Montana, talvez o criador da série, Taylor Sheridan, tenha insistido em encerrar a história com uma reviravolta dramática?

Porém, uma coisa é certa: Kayce puxa o lençol que cobre o corpo no chão e, com um aceno triste para a irmã do lado de fora, confirma que é seu amado pai, John.

O público que acompanha produções televisivas de grande escala sabe que provavelmente ocorreu algum conflito irreconciliável que forçou o ator a deixar o projeto, obrigando os roteiristas a matar prematuramente o personagem principal. Afinal, não importa o quanto a inteligência artificial esteja avançada, ainda está longe de ser capaz de criar uma versão perfeita de John para atuar nos seis episódios finais. Além disso, existem questões altamente complexas em torno da IA, como direitos de imagem, considerações jurídicas e éticas, que ainda permanecem sem solução.

Uma rápida busca por notícias revela que, já em maio de 2023, o Paramount+ anunciou que Kevin Costner deixaria Yellowstone após concluir a produção da "Parte A" (os primeiros oito episódios) da 5ª temporada. O motivo foi um conflito de agenda com o faroeste Horizon: An American Saga, que ele escreveu, dirigiu, protagonizou e financiou com US$ 35 milhões. Esse épico, que parece uma extensão do universo Yellowstone, ou uma sequência de Dança com Lobos, está previsto para ser uma franquia de quatro filmes produzida e distribuída pela Warner Bros. O primeiro já estreou no Festival de Cannes de 2024, mas recebeu críticas mornas que lançaram dúvidas sobre a conclusão dos próximos filmes.

Taylor Sheridan e Kevin Costner.

Enquanto isso, Taylor Sheridan admitiu em uma entrevista de junho de 2023 à The Hollywood Reporter que sua última conversa com Costner abordou os planos do ator para esse "projeto pessoal". Em setembro do mesmo ano, surgiram novas reportagens sugerindo que, mesmo antes do início das greves dos roteiristas e atores de Hollywood, Costner havia tentado retornar ao lado de Sheridan para concluir o arco da história de John Dutton.

Quando se trata de "rompimentos" em projetos de grande escala, tanto os atores quanto os diretores tendem a se ater às suas respectivas narrativas, ao mesmo tempo em que são cautelosos com as declarações públicas. Contudo, além dos conflitos de agenda, também existiram questões mais profundas e irreconciliáveis em jogo. Isso inclui sérios atrasos causados pelas greves escalonadas de roteiristas e atores, além do fato de Costner ter contraído COVID-19 e se divorciado nesse meio-tempo. Não parece que a responsabilidade recai mais sobre o próprio ator?

Independente disso, em todos os seis episódios da "Parte B" da 5ª temporada, John Dutton aparece apenas como um cadáver irreconhecível — visto de costas ou deitado em um caixão. Ele é morto por um assassino contratado por Jamie, seu filho adotivo, e a namorada, com a cena do crime sendo forjada para parecer suicídio. Christina Voros, a diretora do episódio, teve a tarefa nada invejável de corrigir as lacunas narrativas que surgiram. Nas palavras dela: "Acho que a decisão de Taylor de abrir a temporada dessa forma foi muito ousada. Isso mostra sua confiança nos personagens e nos atores que os interpretam, nos permitindo focar em como essas pessoas sobrevivem após um evento trágico".

Luke Grimes, que interpreta Kayce, também defendeu a produção em outra entrevista, explicando seu trabalho: "John Dutton não vai voltar e parece que, agora, realmente temos que abortar a missão. A perda do patriarca sempre fez parte da história. Mas sem o pilar da família, quais serão os próximos passos dos filhos?".

Então, como os filhos da sétima geração da família Dutton se saíram sem o velho John?

Pôster da 5ª temporada de Yellowstone.

Na verdade, mesmo com Kevin Costner solidificando a presença dominante de John Dutton na "Parte A" da 5ª temporada, as sementes do destino do rancho de Yellowstone após sua partida já estão sendo plantadas. A firme resistência do cowboy de Montana aos resorts e à indústria do turismo no geral está fadada a desaparecer em uma era de mudanças radicais. Parte dos funcionários do rancho já migrou para o Texas, enquanto o restante luta para defender a propriedade das crescentes dívidas, sem encontrar nenhuma saída viável. Depois da morte de John, seus filhos começam a cuidar da vasta herança familiar com determinação vingativa e resoluta para devolver a terra à natureza.

Consequentemente, os seis episódios finais, sem John Dutton, mudaram o foco narrativo e emocional para reflexões sobre a natureza e o desenvolvimento comercial — um eixo que funcionou surpreendentemente bem. "A terra dos livres nunca pode ser verdadeiramente possuída. Aprenda as regras dos nômades modernos: nunca se apegue a nada com muita força", a série termina com essa narração reflexiva.

Você se lembra da cena em que um ônibus de turismo chinês cruza a cerca do rancho de Yellowstone para tirar fotos no início da 1ª temporada? John Dutton, a cavalo e empunhando uma espingarda, avança para expulsá-los. Segue-se um confronto com um chinês idoso, que o adverte em mandarim: "Ninguém deveria possuir tanta terra!". Pensando bem, mesmo nos Estados Unidos, onde a privatização é fortemente valorizada, parece que o idoso tinha razão.

Cowboys de Yellowstone.

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