Os remakes da Disney seguem alguma regra? 

A Disney está jogando seu jogo favorito de novo: a roleta do remake live-action. Mas se os últimos passos da empresa servirem de referência, parece que as regras desse jogo estão se tornando cada vez mais arbitrárias — ou pior, deliberadamente projetadas para provocar indignação e, consequentemente, dar a eles publicidade gratuita. Com o mais recente teaser de Lilo & Stitch (2025) sendo lançado e Branca de Neve (2025) se aproximando da estreia, uma coisa se tornou óbvia: a Disney pode fazer adaptações fiéis quando quer. Só que, às vezes, ela opta por não fazer assim.

Vamos começar com Lilo & Stitch. No momento em que a Disney lançou o novo trailer da adaptação, o público respirou aliviado. Finalmente, um remake que não parece ter sido concebido em uma sala de reuniões por executivos que só leram sobre os filmes em apresentações de PowerPoint. Lilo se parece com Lilo. Nani se parece com Nani. Stitch... bem, Stitch é CGI, mas você me entendeu. Parece que a identidade cultural havaiana, tão importante para a obra original, está visivelmente intacta. Esse é o tipo de respeito pelo material de origem que os fãs pedem.

Isso levanta a questão: o que aconteceu com Branca de Neve?

Vamos parar um pouco para contar quantas vezes Branca de Neve foi refeita. Temos o clássico da Disney de 1937, obviamente, mas também Espelho, Espelho Meu (2012), Branca de Neve e o Caçador (2012), Once Upon a Time (2011-2018), O Caçador e a Rainha de Gelo (2016) e uma série de outras adaptações. Ela está tão enraizada na consciência cultural que qualquer nova versão precisa de um motivo convincente para existir. Mas a Disney, sempre disposta a reciclar suas antigas histórias, decidiu fazer de novo, só que, desta vez, as manchetes não têm nada a ver com o mérito artístico do filme, e tudo a ver com a controvérsia do elenco.

Rachel Zegler, uma atriz latina, interpreta a Branca de Neve. Gal Gadot interpreta a Rainha Má. Honestamente, a Rainha Má existe apenas porque a história precisa de uma mulher para ter ciúmes da beleza da Branca de Neve, mas quando você coloca Gal Gadot, ex-Miss Israel, ao lado de Rachel Zegler, toda essa dinâmica entra em colapso sob seu próprio absurdo. Poderiam mudar o nome do filme para "Branca de Neve e os problemas de autoestima da Rainha Má" que faria mais sentido. Todos nós sabemos o que aconteceria quando a Rainha perguntasse ao espelho quem era a mais bela de todas: ele obviamente diria Gal Gadot. Não é uma opinião, é questão de ótica.

Branca de Neve

Antes que os implicantes de sempre se irritem, não é sobre criticar a diversidade do elenco. Já vimos escolhas simbólicas de diversidade o suficiente na última década para reconhecer a diferença entre a inclusão genuína e os golpes de relações públicas disfarçados de progresso. A questão é a intenção. Se a Disney realmente se preocupasse com a diversidade na narrativa, investiria em mais histórias originais com heroínas não brancas em vez de adaptar um conto de fadas europeu centenário para forçar uma “mensagem” desnecessária.

Está claro que a Branca de Neve não é uma história que precisa ser revisitada, não há nada em sua mensagem central que repercuta com o público moderno. Trata-se de uma mulher cuja característica definidora é ser tão gentil e bonita que sete homenzinhos e um reino inteiro decidem que vale a pena salvá-la. Então, por que refazer o filme? Talvez a resposta seja simples: a Disney quer aproveitar a nostalgia, mas tem medo de ser considerada pouco original. Assim, em vez de admitir que é melhor deixar algumas histórias no passado, eles disfarçam sua busca por dinheiro como uma reimaginação ousada.

É aqui que tudo começa a parecer calculado. A Disney sabe como fazer adaptações fiéis quando quer, Lilo & Stitch é a prova isso. Mas também sabe que a polêmica alimenta o interesse. Ao provocar debates sobre o elenco, ela garante que Branca de Neve continue sendo um tópico de conversa, não porque alguém esteja realmente empolgado com o filme, mas porque todos têm uma opinião sobre ele. E, no final, é nisso que a Disney está apostando. Ela não precisa que as pessoas adorem o filme, só precisa que falem sobre ele.

Branca de Neve

Então, quais são as regras dos remakes da Disney? Não há nenhuma. A cartilha é uma bagunça de estratégias contraditórias: às vezes, eles se entregam à nostalgia — como em O Rei Leão (2019), que foi basicamente um remake copia e cola; outras, eles fabricam a indignação ou simplesmente reescrevem tudo para se manterem relevantes — com em A Pequena Sereia (2023) e, agora, em Branca de Neve. O único fator consistente é que a Disney continuará fazendo isso enquanto as pessoas continuarem comprando ingressos.

A essa altura, por que não apostar tudo? Renomeie o filme para "Rainha Má: As Crônicas de Gal Gadot". Faça da Branca de Neve a personagem secundária. Pelo menos assim saberíamos pelo que estamos pagando. É claro que Branca de Neve ainda não foi lançado (até o momento em que este artigo foi escrito), e eu adoraria que mudasse minha opinião.

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