Querido Tom Cruise: obrigado por existir 

Trinta anos atrás, um ator americano jovem, mas já muito experiente, decidiu iniciar uma corrida contra o tempo ao dar vida a Ethan Hunt. Muitos de nós crescemos assistindo a seus filmes como o agente mais corajoso, desobediente e humano de todos. Ele atravessou gerações, cruzou fronteiras ideológicas de todos os tipos e, de alguma forma, nos convenceu de que o tempo (e não há lógica nenhuma nas minha palavras) talvez estivesse correndo contra ele. Tom Cruise, objeto de análise, mas acima de tudo de prazer, não parece se importar com o inevitável passar dos anos.

Nem mesmo os dias, os minutos... ou os segundos. Tom vive no presente.

Ele vai contra o tempo, a natureza tem medo dele e a humanidade fica fascinada, e um pouco aterrorizada, quando esse “alienígena” se faz presente. Ele é um superdotado que sempre consegue fazer algo novo. Se reinventar. FAZER em vez de analisar demais. Pular de uma motocicleta no vazio, se necessário. Escalar o prédio mais alto do mundo com um par de luvas. Dar tudo de si, entendendo que o dia de hoje pode ser seu último na Terra. Mas, acima de tudo, ele sempre consegue dar ao público, ou melhor, ao SEU público, o que ele quer. Tom Cruise é quem, ouso dizer, mais acredita no entretenimento neste planeta.

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Na manhã de terça-feira, testemunhei a conclusão da saga de ação mais icônica e importante do cinema moderno, quer você goste ou não, quer você se importe ou não. Pude testemunhar um encerramento que, embora não pareça um encerramento, deixa no ar uma ideia muito maior do que qualquer final que poderia ter sido dado à história de Ethan e companhia. O objetivo nunca foi ver esse rebelde sem causa vivendo feliz em uma fazenda com sua esposa, passando o resto de seus anos em paz. A palavra PAZ nunca se aplicou a Ethan ou a Tom.

A máquina cinematográfica já tem alguns projetos em desenvolvimento — em uma entrevista durante sua visita ao México, ele revelou que já terminou de gravar o novo filme de Alejandro González Iñárritu — com dois de seus colegas de sempre, com os quais promete entrar em território desconhecido:

  • Um deles será o primeiro filme gravado inteiramente no espaço. Sem CGI, sem “produção virtual”. Não. Tom vai se tornar o primeiro Felix Baumgartner do cinema. Doug Liman (A Identidade Bourne, No Limite do Amanhã, Jumper) será o responsável por trás das câmeras. A NASA e a SpaceX ajudarão nas filmagens espaciais.
  • E, no outro, ele se reunirá mais uma vez com Christopher McQuarrie, diretor dos últimos quatro Missão: Impossível, e Henry Cavill, o vilão de Efeito Fallout, que, na minha opinião, é o melhor da saga. O título em questão é Broadsword, um épico ambientado na França durante a Segunda Guerra Mundial (sim, temos mais cem mil histórias sobre isso, Hollywood pensa constantemente).

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Como estava dizendo, todo esse alvoroço sobre o último filme que certos meios de comunicação causaram, dizendo que tem “muitos flashbacks, muitas homenagens, pouca história e muita densidade” me parece exagerado. O que realmente pesa, e sem a intenção de tirar o foco do arco desse personagem mítico e de suas façanhas, é a ideia de que, ao contrário da crença popular, as estrelas de cinema nunca desaparecem. Tom é o reflexo vivo do fato de que esse vínculo entre o público e o artista é mais forte do que nunca. “Estrelas de verdade eram as de antigamente”, diria um velho rabugento. “No passado era melhor”, diz o vizinho enquanto varre a calçada. Não, eu me recuso a acreditar nisso, me recuso a viver preso ao passado. Quero viver no presente, sentir o futuro.

Hoje, o cinema vira uma nova página. Ele nos mostra que grandes ideias podem ser reinventadas em suas formas, que não podemos acreditar que tudo está perdido. Pelo menos é assim que vejo marcado no coração artístico de Tom. Não sei se O Acerto Final é o melhor filme de ação da década, ou até mesmo o melhor da saga. Ainda não o processei. Esse final sem convicção nos leva, desde o início, a uma mensagem da presidente interpretada por Angela Bassett para Ethan, enfatizando a importância de sua figura ironicamente anônima. Há uma revisão de tudo o que ele viveu, suas perdas, suas conquistas, seus esforços, sua bondade, suas amizades, seus amores.

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De alguma forma, o fim está próximo. A última missão envolve todos os governos do planeta e se aprofunda mais do que nunca na política. A missão, caso Ethan decida aceitá-la (sabemos que vai), é rastrear a origem da inteligência artificial chamada “A Entidade”, impedi-la de assumir o controle de toda a tecnologia do planeta e se livrar de Gabriel, um de seus primeiros inimigos. Ao longo de 2 horas e 49 minutos, o ritmo narrativo nos leva a conspirações e traições, mas também a uma sensação de positividade que a saga nunca almejou. A crítica da possível “robotização humana” no futuro é marcada pelo ponto de vista de todos os personagens. Essa missão foca em acreditar uns nos outros, na união, não importa o quanto o sistema tente nos convencer do contrário o tempo todo.

Muitas vezes nos lembramos das lendas do cinema depois que faleceram, como um ato de recompensa pelo que sentimos que devemos a elas. Hoje, Tom Cruise está mais vivo do que nunca, está vivo tanto quanto seu cinema, tanto quanto o cinema que ele ama. E o cinema que nós amamos. E essa é minha pequena homenagem em vida a um artista em todos os sentidos da palavra.



Publicado em 27 DE PODERIA DE 2025, 16hs18 | UTC-GMT -3


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