O Hotel Abandonado [Lenda local] 

Criei essa versão inspirada em uma lenda local da minha cidade sobre um hotel abandonado que estaria abandonado por ser assombrado após uma morte brutal em uma suíte premium, resolvi dar um toque especial usando partes de um roteiro que tenho em mente, espero que gostem <3

Existe coisa melhor que ser uma adolescente que só precisa estudar e fazer cagadas a vontade sem pensar no futuro? Me perguntava isso todos os dias quando acordava ao meio-dia, e me preparava para mais um rolezinho de Emo com meus amigos pelos lugares mais insalubres da cidade, como de costume, íamos primeiramente subir até o sótão do hotel abandonado para fumar um baseado e beber algo até decidirmos o que vamos fazer, afinal, sexta-feira era dia de matar aula! Ainda fico surpresa como me formei com aquela cabecinha, mas a experiência daquele dia realmente mudou minha vida.

Fui a primeira a chegar no hotel, como sempre, qualquer motivo era bom para sair correndo de casa o quanto antes, ser a estranha no ninho contribuiu com a minha busca incessante por encrenca, até que achei uma das grandes, chegando no hotel precisava entrar pelas janelas estragadas, as portas foram vedadas quando ele foi fechado definitivamente, era um típico local abandonado, sujo, com muita coisa quebrada, fios pendurados, janelas entreabertas, a atmosfera perfeita para um grupo de Emos que finge que não tem medo de nada e adora ir tirar fotos em um local esquisito.

Esperei na janela de sempre até meus amigos chegarem, éramos cinco, cheios de piercings e metidos a drogadinhos, Elena e Ruan eram um casal, chegaram juntos, depois chegou o Diego que morava perto do hotel, quase vizinho, e por último a Clarice, sempre atrasadinha, eu já ia subindo as escadas quando a Clarice deu a ideia de procurar outra parte do hotel que ainda não conhecíamos para o esquenta daquele dia, então começamos a andar pelos corredores imensos daquele lugar, já acendendo o baseado pelo caminho e comentando asneiras sem pé nem cabeça, de tão chapada não lembro exatamente quanto tempo perambulamos até chegar a uma sala diferente de todos os outros cômodos do hotel, ela estava atrás de uma porta parecida com aquelas de cofre antigo, totalmente deteriorada pelo efeito da maresia do mar que ficava a duas quadras de distância, e sei lá quantos anos sem manutenção, não foi tão difícil para dois homens arrombarem, ao adentrar o local, diferente do resto do hotel estava um tanto preservado, parecia um pequeno consultório médico com a estética dos anos 1920, tinha uma cadeira parecida com aquelas de dentista, e uma série de instrumentos médicos espalhados pelo chão, pedaços de documentos presos na parede que certamente foram arrancados às pressas, amamos o lugar é claro, tiramos fotos, colocamos uma música de rock pesado, e seguimos fumando, bebendo vinho e dançando até a Clarice cair bêbada de costas na parede, mas para nossa surpresa, a parede se quebrou, era oca, e tinha mais coisa lá atrás.

Ligamos as lanternas de nossos celulares e entramos no buraco da parede e aquilo parecia uma espécie de hospital abandonado, a essa altura já estávamos embaixo do hotel, e olhando para baixo, seguindo uma escada caracol, era possível ver muitos andares subterrâneos, e superiores também, tanto que nem lembro quantos, Elena ficou assustada e pediu para saímos de lá, Ruan apoiou é claro, mas eu gostava de bancar a corajosa e comecei a descer as escadas debochando deles dizendo que estavam com medinho, Diego que era apaixonado por mim e fazia de tudo pra ficar comigo, entrou na onda é claro, mas era nítido nos olhos dele que também estava com receio daquele lugar, dei play na caixinha de som, agora no volume máximo, estava tocando uma playlist do Asking Alexandria, fomos descendo rapidamente, virando as garras de vinho e jogando lá embaixo para se quebrarem enquanto descíamos as escadas, haviam vários andares subterrâneos com corredores imensos e salas vazias, quartos de hospital ou hospício não sei, o lugar todo era bizarro, não sei quantos andares já havíamos descido quando ouvi uma série de gritos estridentes, coisa de filme de terror mesmo, então corremos pelo corredor em direção as escadas, e olhando para baixo pelo corrimão da escada caracol, dezenas de criaturas que pareciam humanos, porém de pele acinzentada e olhos totalmente brancos, estavam subindo e escalando as escadas rapidamente, deviam estar uns quatro andares abaixo no máximo, eram muitos, muitos mesmo.

Saímos correndo aos gritos desesperados, toda luz vinha das lanternas dos celulares que estavam sem sinal, houve um momento que eles nos alcançaram, a Clarice foi a primeira a morrer, uns cinco deles pularam nela e começaram a devorá-la viva, Diego me puxou para o primeiro corredor que apareceu enquanto corríamos pelas escadas, estavam tomadas, correndo desesperadamente com aqueles gritos demoníacos ecoando por toda parte, não se via nem ouvia mais ninguém, estávamos eu e ele perdidos pelos corredores fugindo de algo que não podíamos ver direito, e os outros? Lembro somente de ver a Clarice sendo pega, nos perdemos, Diego e eu nos jogávamos pelas paredes na tentativa de achar uma nova saída, sem sucesso, um deles nos achou, e Diego para me salvar entrou em luta corporal com aquela criatura, acabou morrendo, aceitando meu destino e completamente em choque fiquei paralisada esperando minha vez, para minha surpresa a criatura não me notou, passou do meu lado e seguiu o corredor, lembrei dos olhos brancos, estão cegos pela escuridão, percebi que se guiam pelo som, então sem fazer nenhum barulho voltei pelo mesmo caminho que fizemos, passei por vários deles, quase nem respirava, passei pelos corpos completamente devorados dos meus amigos e voltei as escadas, subindo e subindo, com certeza já havia passado do ponto que entramos naquela sala secreta, e então senti uma gosma pegajosa caindo no meu ombro, olhando para cima uma daquelas criaturas estava no lance de cima pendurada olhando em minha direção, no susto comecei a correr e ela pulou quase em cima de mim, me virei e dei um chute tão forte que a criatura rolou escada abaixo, o barulho chamou a atenção dos outros, meu tempo era curto, subi as escadas correndo loucamente até dar em uma pequena escotilha lacrada, chutei com todas as minhas forças, o material velho e podre se abriu com um pequeno buraco que pude passar, pro meu azar estava na parte oeste do hotel onde já era um esqueleto de emaranhado de ferros e vigas de aço.

Ouvi eles chegando, comecei a escalar as vigas de aço rumo ao nada, não havia como escapar, olhando para baixo vi que toda essa estrutura estava tomada, o pôr do sol estava lindo, enquanto aquele formigueiro de canibais humanoide se aproximava, olhei para baixo e vi uma árvore grande no quintal, estava acima do quinto andar, vendo que não havia mais tempo e não querendo virar café da tarde, me joguei em direção a árvore, talvez eu sobreviva a queda pensei, apaguei assim que bati em um dos troncos. Acordei em um hospital com minha mãe ao meu lado, ela disse que fui retirada embaraçada em meio aos galhos da árvore, o hospital e outros lugares básicos estavam cercados pela tropa de choque, as criaturas saíram do hotel e a cidade estava um caos, uma anarquia total, e a culpa era minha, e dos meus amigos, falando neles, todos mortos. Já fazia quase uma semana, levantou-se que o hotel quando funcionou era fachada para esconder aquele imenso laboratório de experiências em humanos, criado pelo governo, quando histórias começaram a vazar, o hotel foi fechado e criou-se uma lenda de assombração para se aproveitar das superstições da época e afastar os curiosos, aquelas criaturas eram pessoas que se adaptaram ao escuro, se reproduziram lá dentro ao longo dos anos, e canibalizavam uns aos outros para sobreviver, com o passar das décadas as habilidades humanas mais básicas não foram desenvolvidas, e se tornaram animais selvagens da escuridão, e agora estavam soltos, em uma guerra pela vida, ou morte, pelas ruas da cidade, policiais, traficantes e cidadãos comuns, com armas paus e pedras, se uniram para sobreviver e combater um problema que cinco jovens Emos fazendo merda libertaram, uma sociedade canibal subterrânea a quase cem anos em cativeiro.

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