Animações estão presentes na minha vida desde a mais tenra infância. Antes que pudesse andar ou falar, me colocavam em frente à televisão vendo a rica safra de desenhos dos anos 90, de duração e temática variadas, um estímulo visual poderoso. Lembro-me de ver Timão e Pumba em suas aventuras ao redor do mundo repetidas vezes, até decorar as falas e saber de cor o que viria a seguir em cada episódio. Lembro-me também de ficar indignada, quando sequer conhecia esta palavra, e traduzir minha frustração em lágrimas quando o Príncipe “Encantado” da Bela Adormecida cravou sua espada na Malévola transformada em dragão. Eu sempre preferi os vilões.
Mas a animação que mais me marcou não foi nenhuma dessas, e sequer é da Disney, marca constante nos meus anos formativos. O posto de desenho animado mais marcante na minha vida é ocupado por “A Era do Gelo”, o primeiro filme da franquia do estúdio BlueSky.
Foi a primeira vez em que fui ao cinema. Era domingo à tarde. Eu tinha oito anos e usava um vestido com fundo azul-marinho e bolinhas brancas. Minha mãe levou eu e minha prima, alguns anos mais velha, ao único cinema da cidade, que hoje, mais de vinte anos após o acontecido, continua sendo o único cinema da cidade.
Confesso que no começo fiquei com medo de o som ser muito alto e os estímulos muito… estimulantes - eu ainda não sabia que estou no espectro autista. Mas quando começou a projeção, fiquei hipnotizada. Aqueles animais pré-históricos porém carismáticos, numa história de opostos que se atraem por um motivo comum, que foi devolver um bebê humano perdido para seu bando. Eu amei cada minuto.
E logo depois surgiu uma vontade louca, que me acompanha até hoje: vontade de escrever sobre o que eu havia acabado de ver. Não abri um Word no meu computador de monitor tubo. Mas no ano seguinte meu sonho se realizou: escrevi sobre “A Era do Gelo” para um jornalzinho da escola - a foto que abre esse artigo. Nascia assim uma crítica de cinema.
Revi o filme algumas vezes. Uma vez num domingo à noite, como remédio caseiro para o mal-estar que havia sentido durante aquela tarde. Mais duas vezes na escola, uma aos onze anos de idade e outra aos quatorze. Em ambas tivemos de escrever sobre o filme, levando em consideração a ligação com a matéria que estávamos estudando, as eras geológicas. A cada nova visualização, percebia novos detalhes que antes haviam me escalado. Eu entendi então a magia do cinema.
O tempo passou, mas a memória ficou. Como fechamento de um ciclo, fui ao cinema com minha mãe assistir ao último, por enquanto, filme da franquia “A Era do Gelo”. Foi muito divertido, e àquela altura eu já me descrevia como crítica de cinema profissional. Nunca vou esquecer, apesar de já ter assistido a mais de cinco mil e quinhentos filmes, daquele que começou uma paixão, uma obsessão, uma profissão. Nunca me esquecerei de que Manny, Sid e Diego mudaram minha vida para sempre. Eles sempre terão um lugar de destaque no meu coração e na minha trajetória.



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