"Quando o dia da revelação realmente acontecer, teremos que aceitar que nunca estivemos sozinhos."
O que há de novo no cinema? Talvez a pergunta mais feita quando se pensa em ir descansar, assistir alguma obra que está ali em cartaz — uma enxurrada de gêneros presentes, mas sempre a incerteza do que se ver. Quando se consome muito o cinema em sí, talvez o desgaste começa a aparecer quando não se tem mais acesso ao novo; nostalgia se torna um tanto quanto fútil e faz com que cada tentativa seja uma mera emoção de segundos, a sensação de centavos que parece estranha quando se revê e até mesmo questiona se o que antes era visto, era uma forma autêntica do que já foi um misto de felicidade. Tudo que se torna uma mera réplica, as vezes sequer entende o porquê, como se forma a sensação de tal coisa que se espelha e o porquê a mesma se torna única; talvez seja a idéia do ser humano em acreditar numa divindade, todos os seres existentes para algumas pessoas podem ser meras imagens espelhadas; e criou Deus o homem á sua imagem, por isto, a existência da falha — imperfeição que quando se alcança a arte, talvez seja o mais próximo que se pode ter da aproximação a beleza divina. Talvez, nunca se realmente se saiba o que se pode ser divino por completo, mas ter uma noção de que aquilo existe, isto sim se torna uma forma autêntica, fé, crença ou até mesmo o sentimento único de cada pessoa em ter sua própria experiência.
Steven Spielberg parece estar mais aberto a explorar temas no qual se dialoga por vários anos, mas resolve entrar em novas questões para implementar nesta narrativa — assim, ele faz um filme futurista sem estar tão longe, um futuro que não dá mais para mudar. Enquanto se assiste, percebe-se a grande forma de demonstrar um cotidiano mais expansivo; quase como se o diretor estivesse se infiltrando na vida de cidadões comuns, os olhos daqueles que se arriscam pelo o que acredita mesmo sem propósito, porque muito dos personagens fazem suas ações quase que de uma forma sem rumo; muitos podem indagar se não seria um roteiro tanto quanto conveniente, mas o espetacular acontece de maneiras improváveis, as histórias acontecem com pontos no qual só acredita quem vê, é um filme praticamente sobre o que aconteceria se os milagres fossem possíveis — não só milagres, mas também a possibilidade da capacidade humana. Talvez não só existam alienígenas, talvez exista também a possibilidade de acreditar mais nas pessoas e assim fazer do mundo um lugar melhor, o que começa a entrar um tema enfatizado no filme inteiro — assim se explora, o grande foco pela empatia.
Os paralelos entre os dois protagonistas reforçam essa forma da empatia; um casal que ambos acreditam um no outro, outro casal está pronto para se romper a qualquer momento e isto porque a experiência de escutar não é bem vinda; a compreensão das formas alienígenas e da confusão para um dos protagonistas vai se resolvendo aos poucos, enquanto para outra sempre vai se encaminhando numa grande confusão — suas respostas vêm do absoluto nada, e ninguém para compartilhar até então. Existe até mesmo a questão de replicar uma forma clássica, a questão de como o governo se prende a este padrão vilanesco, enquanto também existe uma certa evolução na igreja, mas na ironia disso tudo, até mesmo a própria igreja teme a verdade. Tudo parece se encaminhar para um grande coletivo, mas que se faz de uma narrativa cheia de autos e baixos no qual parecem encaminhar para uma direção só, isto porque todos resolvem focar em um só ponto e naquilo que importa, não se abre mais de uma margem para aquilo que se revela como verdade, porque só realmente existe uma; mas, e se não for bem assim? A indagação existe durante a narrativa e talvez a chance de complementar sobre estes personagens exista, o que também representa a reação de um secundário no qual não parece fazer sentido até o ato final, porque quando se percebe a resposta de Spielberg sobre uma possível revelação, a resposta começou durante a experiência e saiu quando ela terminou, se ela conseguiu ser processada ou não, é questão de muita discussão aberta que esse filme fará ou será deixada de lado, se todos em geral não permitirem um pouco dessa interrupção do dia a dia e começar a pensa-la, refleti-la.
Mais uma tentativa de reflexão do que respostas; ainda que, elas estejam bastante presentes em cada ato, existe também o permitir desta entrada Blockbuster em Dia D. Existem as clássicas perseguições bem gravadas de carro, existe o momento meio aterrorizante que não necessita de susto para ser assustador, existe até mesmo o momento de emoção que tenta fisgar sua lágrima; um Sci-Fí que ainda acredita na fantasia e enquanto está no meio desta grande não-criatividade da era moderna, existe uma tentativa de fazer aquilo que já é do conhecimento comum, mas de uma forma que não pareça tão não-finalizada, talvez a tal revelação esteja também presente na maneira do acreditar, ser aquele ou aquela que ainda continua a acreditar na fantasia — que talvez não seja não é ridículo ou brega —, onde talvez até mesmo seja um tanto quanto bom e esperançoso num mundo que esconde tantos segredos; porque no meio de arquivos alienígenas ou da possibilidade em acreditar em outros seres, a descrença seja possível e ao ter todas as respostas em mãos, qual seria a verdadeira graça em viver sem a sensação da descoberta? Até mesmo a morte, em certo ponto, é a última descoberta do que há após a vida, então qual seria o ponto de não se ter mais nada para se descobrir além da existência? Talvez, a ignorância ainda seja uma virtude.


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