Devo começar assinalando algo, tenho um terno preconceito contra a Emma Stone e contra o Yorgos mas mesmo assim resolvi dar uma chance para o filme já que sua estética me atraiu e infelizmente sou movido a estética e não poderia deixar de fora. Bom, eu fui realmente surpreendido no ótimo sentido da palavra já que Bugonia é ousado, tem beleza na sua razão de ser e se mostra totalmente competente em tudo que propõe, a Emma Stone e o Jesse Plemons brincam de atuar aqui tremenda a naturalidade de ambos, estou feliz mesmo tendo assistido em duas vezes — o que acaba sendo o meu maldito normal — e o filme cumpriu em mim sua principal função: me divertiu.

Vamos lá, o filme tem um traço muito bem definido e isso é o que mais gosto nele, tudo se baseia em teorias da conspiração e onde podemos chegar por elas pela nossa própria falta de fé em nós mesmos ou no mundo, o absurdo de como tudo se desenrola é um baita chamariz já que o filme se faz viceral por seus detalhes e também pelo seu visual. Emma Stone de cabelo raspado fazendo a Michelle é de se bater palmas, gosto de como a personagem dela constrói essa persona da CEO de forma muito clara desde o primeiro segundo que a vemos em tela, sua auto-afirmação, a confiança de cada passo calculado e seu entendimento de posição social que é explicada aos sequestradores no momento em que ela entende o que está acontecendo… Mas espera ai, sequestradores? Segue a plot do filme.
Michelle Fuller é dona de uma gigante farmacêutica que é sequestrada por Teddy e seu primo Don pois eles acreditam que ela é uma alienígena infiltrada entre nós. E ai, complexo? Não! E isso é a parte mágica da coisa toda, o filme sabe escalar as situações sendo elas tremendamente caóticas ou contidas apenas em diálogos — que não deixam de possuir menos caos — os diálogos nesse filme são de suma importância principalmente quando conduzidos por Michelle, eles beiram o absurdo na forma como “aceita” seu sequestro apenas para tentar conduzir tudo a sua maneira já que teoricamente ali ela é a única pessoa sã, o filme se baseia na vontade de continuar mesmo estando errado, Teddy é a prova disso já que vemos que em alguns momentos ele parece começar a se questionar se está tudo certo em suas teorias e conforme vai entendendo mais sobre sua enclausurada os diálogos se tornam mais profundos, mas nunca íntimos a mando do próprio Ted, bacana isso, não? O filme tem um ritmo agradável e prende, não tem um momento mais ou menos, a experiência é realmente boa.
Sobre os aspectos técnicos, gosto do granulado da câmera e de seus movimentos, é como se estivéssemos de observadores na frente dos personagens quase que o tempo todo, principalmente quando estamos andando, quando parados as vezes é meio claustrofóbico tamanha proximidade. O design de som também é espetacular, a voz da Emma ecoa dentro da nossa cabeça violentamente as vezes pela altura que fala e principalmente por como conduz seus pensamentos. Seria muito fácil a soltar já que ela é claramente a pessoa mais inteligente na casa. A direção de fotografia também é ótima mas nada muito grande a se destacar por aqui. Em resumo é sim um bom filme, ainda mais se conseguir despertar sua curiosidade nos primeiros dez minutos.



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