Por que nos importamos cada vez menos com o Oscar? Vamos começar esclarecendo sobre quem "nós" estamos falando. Se "nós" engloba pessoas envolvidas na cena cinematográfica – como cineastas, estudantes de cinema e cinéfilos hardcore – infelizmente o problema é sério. Mas antes de qualquer coisa, primeiro vamos dar uma olhar em alguns motivos por trás disso.
Para começar, temos o maior segredo aberto de Hollywood: as táticas de relações públicas. Grandes estúdios de cinema e especialistas em marketing vêm mexendo os pauzinhos para influenciar indicações e vencedores do Oscar há muito tempo. Por exemplo, vamos considerar o infame Harvey Weinstein, que levou filmes como "Shakespeare Apaixonado"(1998) e "O Lado Bom da Vida" (2012) para os holofotes do Oscar. Um dos efeitos colaterais das intensas campanhas de relações públicas é que os queridinhos indie com orçamentos apertados são deixados de lado, incapazes de atrair os holofotes sozinhos.

Em seguida, temos o Oscar tentando acompanhar os novos tempos, tornando-se mais "politicamente correto". A inclusão é ótima, mas algumas dessas novas regras parecem um pouco forçadas. Você já ouviu falar sobre os requisitos mais recentes? Os papéis principais precisam incluir pelo menos um ator ou atriz da minoria ou o elenco precisa ser mais diversificado com seis rostos etnicamente diversos. Nesse caso, a maioria dos filmes mal se qualifica, como "La La Land" (2016) que "quase" ganhou o prêmio de "Melhor Filme". É claro que o Oscar está tentando refletir o mundo de hoje, mas essas regras estritas não promovem necessariamente um cinema inovador.

E não vamos esquecer a queda na criatividade de Hollywood. Parece que a indústria perdeu o brilho, optando por apostas seguras em vez da originalidade. Todos os anos, é a mesma velha história: pilhas de dinheiro investidas em filmes de super-heróis repletos de CGI ou economia em filmes feitos sob medida para a glória da temporada de premiações. Para conquistar a Academia, é preciso ter um tema claro e um público de nicho.

A Academia lançou as indicações para o Oscar deste ano há algum tempo, mas sejamos realistas, fora do reino dos filmes, a única coisa que realmente parece causar impacto aos olhos do público é a controvérsia de "Barbie".
Então, voltando à questão original, se "nós" significa o público em geral, vou trazer uma realidade. A maioria das pessoas não está perdendo o sono por causa do Oscar ou de qualquer outro festival de cinema — seja Cannes, Berlim ou Sundance...pergunte a elas se vale a pena debater por que Greta Gerwig e Margot Robbie não foram indicadas. O que significa quando "Oppenheimer" (2023) representando a estética masculina branca dominante, recebe 13 indicações? Será que Emma Stone conseguirá outro Oscar por "Pobres Criaturas" (2023)? Elas certamente não terão respostas definitivas, mas o problema é que a maioria das pessoas realmente não se importa.

Antigamente, o cinema era tudo para mim, até me formar na faculdade de cinema, saindo da fábrica dos sonhos e entrando na rotina diária mais real. Os filmes são apenas mais uma parte da cultura, mas não o todo. É claro que o Oscar ainda domina Hollywood (pelo menos por enquanto), mas além das telonas, há um mundo de coisas clamando por nossa atenção, especialmente quando Hollywood está passando por uma crise de criatividade. A verdade é que temos questões mais urgentes para refletir do que saber quem está levando para casa uma estatueta de ouro para casa.



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